© Vera Marmelo
© Teresa Q.

Sinopse

No regresso de Copenhaga, onde durante os últimos dois anos frequentou o mestrado em Performance pela prestigiada Rhythmic Music Conservatory, o que João Hasselberg traz de mais precioso é a vontade em regressar ao que de mais intuitivo e puro a música pode ter no seu processo.

Este regresso é comemorado com o disco “The Great Square of Pegasus”, em fase de concepção e gravação. A música é escrita a pensar na participação de Afonso Cabral (conhecemo-lo sobretudo de You Can’t Win, Charlie Brown), na voz, e Pedro Branco (guitarra) que tem sido cúmplice de João Hasselberg em dois discos editados em parceria “Dancing Our Way to Death” (2016) e “From Order to Chaos” (editado pela conceituada Clean Feed em 2017). 

O título do disco é roubado ao nome da constelação e vem homenagear o regresso à intuição e ao momento em que a tela está de novo em branco e tudo é um processo de descoberta, mesmo que constantemente trabalhe para o aperfeiçoamento da sua técnica e conceito estético.

A música de “The Great Square of Pegasus” é uma ode ao florescimento dos sentidos e o que de mais universal partilhamos entre todos os seres do mundo, debaixo do céu estrelado que nos guarda.

Avizinha-se mudança, escrita e guiada pelas estrelas.

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João Hasselberg estreou-se como compositor com o álbum “Whatever It Is You’re Seeking, Won’t Come In The Form You’re Expecting” (2013). Um ano mais tarde, lança o disco “Truth Has To Be Given In Riddles”, ambos assinalados pela crítica e imprensa especializada entre os melhores discos de cada ano.

Em co-parceria com Luís Figueiredo (piano), traz a palco o duo Songbird desde 2015 e com Pedro Branco (guitarra) o projecto João Hasselberg & Pedro Branco que se converteu em dois discos “Dancing Our Way To Death” (2016) e “From Order To Chaos”, este último editado pela prestigiada Clean Feed, em 2017.

Imprensa

Mais do que um sólido contrabaixista jazz, Hasselberg é um compositor ímpar, que nos vem apresentando uma música arredondada, com grande ênfase melódica, atravessando universos, indo do jazz à folk, sem se fixar demasiado a um único género. (…) Ao sairmos da sala somos invadidos pela inevitabilidade do balanço de ocasião, de tentar sintetizar em algumas palavras aquilo que acabámos de ver. Sai apenas uma frase simples: não há mais ninguém a fazer música tão arredondada como esta. Que venha depressa um próximo disco.

Nuno Catarino, bodyspace.net, 8 Setembro 2015 (depois do espectáculo no Pequeno Auditório do CCB, em Lisboa, a dia 5 de Setembro).

 

Electric and double bassist Joao Hasselberg has taken a giant leap forward in harmonic weight class with the releases of his sophomore effort, Truth has to be given in riddles. This septet functions with an amazing lyrical direction and synergy while still conducting a unique lyrical exploratory within a most sold set of eight compositions which are surprisingly enough all original works and have Hasselberg poised to assume the latest rising star role on the international scene.

Brent Black, criticaljazz.com, 19 Dezembro 2014

 

«Float like a butterfly and sting like a bee.» Era esta a estratégia pugilística de Muhammad Ali e o contrabaixista João Hasselberg parece seguir a mesma linha. O contrabaixo de Hasselberg flutua levemente, deixando o lastro do seu som grave sobre os temas, ao mesmo tempo que pica o tempo com incrível precisão. (…)

A música de João Hasselberg atravessa diversos ambientes (sem vergonha de flirtar com a pop), com muita imaginação e uma frescura inigualável na cena jazz portuguesa. A apresentação ao vivo confirmou as ideias que o disco já transmitia: não temos aqui apenas um bom instrumentista, mas também um óptimo compositor. Em suma, um músico completo. Acedendo ao pedido do público, Hasselberg regressou para um “encore”, acompanhado por piano e saxofone. Final feliz, como nos romances.

Nuno Catarino, Jazz.pt, 9 Outubro 2014

 

El primer disco como líder del contrabajista João Hasselberg es toda una sorpresa musical en el sentido más amplio de la palabra.

(…) La música que se desprende en la grabación de Hasselberg es extraordinariamente versátil y heterogénea, y juega con el concepto de lo que uno esperaba escuchar y lo que finalmente se encuentra como oyente. A la música de Hasselberg es imposible de catalogar o etiquetar como tal, pues aún teniendo algunas de las composiciones un fuerte sustrato de jazz como “In Cold Blood”, “On The Road” o “Amor De Perdição”, es algo evidente que las ideas compositivas del contrabajista portugués van más allá de esa mera etiqueta formal.

(…) Lo más interesante de todas estás músicas que se desarrollan a lo largo del compacto es el encaje que de las mismas lleva a cabo su líder, y en concreto por su concepción abierta, en donde prima la música sin etiquetas ni calificaciones tan propias de nuestra época.

Joan Carles Abelenda. Zona de Jazz, 19 Junho 2014

 

Boas ideias composicionais, revelando um autor de grande personalidade, combinaram-se com préstimos instrumentais merecedores do maior aplauso, a começar pelo saxofonista alto Ricardo Toscano, pelo trompetista Diogo Duque e pelo próprio Hasselberg, executante de mão cheia. Foi muito, muito bom. Até na perspectiva de que entrar pelos domínios da pop não significa necessariamente uma banalização do jazz.

Rui Eduardo Paes, Jazz.pt, 8 de Abril de 2014 (depois do espectáculo na Festa do Jazz, no Teatro São Luiz, em Lisboa, a dia 5 de Abril).

 

Hasselberg não lança temas para o mesmo ensemble os tocar do início ao fim. Se uma ideia pedir apenas a intervenção do piano ao seu lado, assim será; tal como a voz pode entrar acompanhada somente de guitarra e contrabaixo. (…) “Há coisas em que posso cortar, mas quanto mais cortar mais a música sofre com isso. É como aquela história de aterrar um avião e não se poder ir muito devagar se não cai. Há uma velocidade certa. É aí que tenho de chegar com a minha música — preciso de um equilíbrio.”

Na verdade, é tudo o que não falta à música de João Hasselberg: um notável e justo equilíbrio.

Gonçalo Frota, Ípsilon, 3 de Abril 2014